A cascaval da Pedra da Baliza

25º dia – 13 de dezembro

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Hermílson me pega cedinho na pousada e vamos a Dianópolis, a cidade vizinha, para abastecer. De lá seguimos por uma estrada que fica no alto da Serra Geral, na divisa entre Bahia e Tocantins. Depois da andar um pouco chegamos nas Gargantas, formações rochosas de paredões areníticos e espigões de pedra formando esculturas.  Almoçamos na estrada o tradicional arroz, feijão, macarrão e ovo frito e seguimos viagem. Seguindo viagem passamos por lavouras de soja , milho e algodão, cultivadas por migrantes de outros estados, na sua maioria gaúchos. Depois de muitos quilômetros chegamos na Pedra da Baliza, uma pedra em forma de taça no meio da planura do cerrado, que tem esse nome porque foi historicamente usada como divisa entre Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí (na verdade os dois últimos ficam um pouco mais ao norte). Desço pra fotografar a pedra com um céu de nuvens de chuva. Peço para o Hermílson sair do enquadramento e quando ele contorna a pedra grita assustado. Era uma cascavel enrolada no chão, pronta para dar um bote. Faço algumas fotos com o flash fora da câmera e o dia termina. Vamos até Mateiros onde pernoitamos na sede do Parque Estadual do Jalapão.

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A fumaça da cachoeira

24º dia – 12 de dezembro de 2011

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Saímos de manhã cedo para a Cachoeira da Fumaça, que fica na estrada por onde viemos de Ponte Alta. É uma cachoeira de cerca de 20 metros de altura que tem esse nome por conta de uma nuvem de água permanente que acompanha o rio por várias dezenas de metros. Descemos pelo lado oposto do rio por uma trilha até chegar na parte de baixo da cachoeira. A nuvem de água é intensa. Seguimos de carro em direção ao Rio da Conceição até encontrar Josimar, que vai nos levar em outra cachoeira. Ele nos diz que leva mais de hora e meia a pé pra ir e voltar. Desistimos, pois o Hermílson, meu guia, tem a festa de encerramento do pessoal do ICMBio a tarde. Josimar nos leva com os filhos até uma pequena cachoeira perto da sua casa. Fotografo as crianças brincando na água até que despenca um toró daqueles. Voltamos correndo até o carro, pois eu não havia pegado o poncho pra chuva. Chegamos na cidade pouco antes do meio dia e depois de um banho vou até a casa da Carol e do Louva-deus (apelido do seu marido) onde acontece o churrasco do ICMBio. Aproveito o resto da tarde pra organizar as fotos, fazer becapes e limpar o equipamento.

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Cachoeira do Soninho

23º dia – 11 de dezembro

Cachoeira do Rio Soninho, entorno da Estacão Ecológica da Serra Geral, Rio da Conceição, Tocantins

Saio da Pousada dos Buritis, que é de um casal de gaúchos, de manhã cedo, em direção a Ponte Alta. Lá vou encontrar Hermílson, que será meu guia na Estação Ecológica da Serra Geral. Está garoando e fico com receio de ter problemas, pois a estrada é muito ruim. Trechos de lama, areia solta e buracos gigantescos. Antes passo na casa de Cassiana pra pegar um documento e ela me diz que posso ir sem problemas, que a estrada não tem nenhum obstáculo intransponível. Faço a viagem sem paradas para fotos, pois a garoa não dá trégua. Pouco depois do meio dia, depois de muitos buracos, chego a Ponte Alta onde Hermílson já esta me esperando. Depois do almoço, deixo meu carro num posto de gasolina e seguimos viagem na caminhonete do ICMBio para Rio da Conceição, onde fica a sede da Estação. No caminho paramos na Cachoeira do Soninho, uma queda d’água onde o rio faz uma curva e cai por um buraco num pequeno cânion bem estreito, que desagua num lago. O efeito é impressionante mas difícil de fotografar, pois uma nuvem de água molha a câmera constantemente. A estrada é bem pior que a de Mateiros. Se eu tivesse vindo com o meu carro, provavelmente não teria chegado. No caminho passamos por um lugar onde a água quase interrompeu a estada, criando uma enorme vossoroca. Chegamos a noite em rio da Conceição e me hospedo numa pequena pousada.

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Expedição na Livraria Cultura

Caros amigos

Dia 12 de maio de 2011 – quinta feira – estarei recebendo todos para um encontro no auditório da Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country em Porto Alegre. Na ocasião vou projetar imagens do livro e falar um pouco sobre este projeto. Também vou mostrar imagens inéditas do projeto que estou trabalhando no momento – Expedição Natureza do Tocantins – com lançamento previsto para o segundo semestre deste ano. Na ocasião acontecerá a abertura da exposição fotográfica do Natureza Gaúcha. Estão todos convidados! Saiba mais sobre o livro aqui.

Onde: Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country em Porto Alegre

Quando:12 de maio de 2011 – quinta feira – as 19h30

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Deus é brasileiro?

22º dia – 10 de dezembro de 2011

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Cassiana, minha guia no Jalapão, teve que ir a Palmas buscar Daiane, a chefe do parque. Quem me acompanhou neste dia foi o guarda-parques André. Fomos até a cachoeira da Velha, a maior do Jalapão, que é alimentada pelo Rio Novo. No caminho encontramos dois ninhos de corujas-do-campo, com filhotes.

Ao chegar na Velha, o sol estava esturricando até os pensamentos. Caminhamos por uma passarela que conduz até um mirante, que fica a direita da cachoeira. Dali vamos de carro até a Prainha, que fica mil metros rio abaixo. Ao descermos as escadarias que levam até o rio cruzamos um bando de bugios, mas não consigo nenhuma foto decente, foi muito rápido. Na praia, a água transparente convida para um banho. Ali foi filmada uma das cenas do filme “Deus é brasileiro”. Depois de algumas fotos fazemos um piquenique de almoço. Nas férias de julho este é um lugar movimentadíssimo, mas hoje está vazio. Na volta passamos na dunas de novo mas já muito tarde, quase noite.

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Dois Brasis

21º dia – 9 de dezembro de 2010

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A chuva cai em grossos cordões de água, escorre pela palha de piaçava do telhado e se acumula em poças pelo chão do caminho que leva aos quartos. O clima me traz melancolia e lembranças distantes de outros pagos. Percebo a poesia da melancolia. Vitor Ramil canta com o pandeiro e a cuíca de Marcos Suzano. Dois Brasis no meu peito, o do sul e o do norte. Meus pés ainda vermelhos do sol abrasador do dia anterior no Rio Novo.

A tarde a chuva dá uma trégua e resolvo sair. Vou até a sede do parque, onde espero a raposa que, segundo os guarda-parques, aparece todo fim de tarde no alojamento. De volta à pousada, cruzo um jardim repleto de sapos-boi. Na varanda um inseto esquisito.

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No limite

20º dia – 8 de dezembro de 2010.

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Depois do café da manhã levamos os ducks (espécie de caiaque inflável) pra beira do Rio Novo, onde serão inflados. Vamos eu e Valtércio num bote, Marcelo e seu estagiário Dieyson no outro. Descemos sem grandes percalços, pois as corredeiras são tranquilas. Por via das dúvidas eu levo meu equipamento fotográfico numa bolsa estanque, o que protege mas não é nada prático para mim trabalhar. Não vemos muitas aves, nem mesmo o pato-mergulhão. O final do nosso trajeto é na fazenda Progresso, onde o dono mantém uma pousada bem rústica, um dos locais usados como locação pela série Survivor da rede americana CBS, que inspirou a brasileira “No limite”.

Depois de tirarmos os ducks da água Marcelo diz que vai chamar uma ave conhecida por soldadinho. Dizendo isso tira do bolso um Ipod, acopla a uma pequena caixa de som e toca uma gravação da vocalização do soldadinho. Esta técnica é chamada de play-back pelos ornitólogos, e funciona. Em poucos segundos aparece um soldadinho. Ele tem o corpo negro e o topo da cabeça e do pescoço vermelhos, formando uma espécie de capacete.

Enquanto o pessoal começa a preparar um churrasco, eu faço um lanche, pois marquei com um dos guarda-parques do Jalapão pra me buscar lá. O tempo passa e nada dele aparecer. Por volta das 4 da tarde, quando eu já estava começando a ficar preocupado, pois não havia levado nada pra dormir lá, aparece o motorista do Marcelo de volta avisando que a Toyota do guarda-parques havia quebrado. Ele me da uma carona até a base do Rio Novo onde havia deixado o meu carro e consigo voltar a Mateiros.

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